17 acampamento underground

Flávio participou do acampamento underground no Rio de Janeiro. Leia o que essa experiência significou em sua vida:

Acabo de chegar de um lugar que fui com a total intenção de morrer. Pois já imaginava o quanto eu precisava amadurecer como cristão. Lá passei por situações muito fortes que me levaram a reflexões profundas sobre quem eu sou de verdade.

Reconheci mais uma vez o quanto sou pequeno, fraco e profundamente dependente da misericórdia de Deus. Lá vi que o “bom” para mim, na verdade, não era bom para Deus, e que nada em mim precisava voltar para casa. Em prantos, mais uma vez, me dirigi ao Senhor a dizer: “Por favor me mata e faz um novo eu. Se for pra viver a vida hipócrita que vivo, eu não quero mais viver, eu só penso em mim mesmo. Simplesmente não me movo se não for para atender as minhas próprias necessidades”.

Afinal, do que adianta ser alcançado pela misericórdia do Senhor e não verdadeiramente amar o próximo por mais que ele nos magoe ou nos trate com indiferença? Do que adianta viver no conforto e não abrir mão de pelo menos um pouco daquilo que tenho para ajudar um necessitado que sente fome, que não tem algo para aquecê-lo no frio ou servir de instrumento para passar a palavra de Deus? Do que adianta eu falar “coitados dos cristãos perseguidos” e nem ao menos me ajoelhar em oração por eles. Existem milhares de cristãos em países perto e longe que vivem em condições deploráveis e mesmo assim não esmorecem sua fé por serem convictos do amor de Jesus por eles. Eles realmente acreditam que são blindados pelos anjos do Senhor e aquecidos de dentro pra fora pelo Espírito Santo. Cristãos esses que buscam em Cristo forças para sobreviver sem uma alimentação básica e ainda assim, ter que ser solidário dividindo o quase nada com seus companheiros. Submetidos a torturas, sendo tratados como animais, escravizados, espancados, abusados sexualmente, mutilados e mortos por perseguidores, opressores religiosos que valorizam mais que tudo seus princípios e que sacrificam até mesmo suas próprias vidas por seus deuses.

Mas eu mal leio sua palavra, Pai. Como quero ser forte se não me alimento? Que cristão sou eu que não me preparo para o momento que o Senhor vai precisar de mim para falar de Ti para os outros? Preciso viver o que prego!

Não quero proclamar o teu evangelho por simplesmente ter ouvido em um culto que isso é o correto a se fazer. Não quero mais pecar e arriscar minha comunhão contigo, Pai. Fazer algo por aparência, ainda que sejam atitudes admiráveis aos olhos dos homens, não me levará pra mais perto de ti. Quero que a boa nova rasgue meu coração, quero viver o teu evangelho, que o meu dia-a-dia seja te buscar, seja estudar a tua palavra. Quero amar e fazer algo por aqueles que em situação de rua não podem fazer quase nada por si, por simplesmente não terem mais forças físicas e psicológicas para sair daquela situação e precisam de alguém para se levantar. Preciso e quero amar aqueles que tratei com indiferença e acabei repelindo da minha vida por possuírem princípios que se chocam com os meus. Preciso literalmente amar sem ver a quem.

Obrigado, Deus, por me permitir vivenciar uma experiência de perseguição religiosa que me transformou tanto. Por mais que tudo não passasse de uma simulação, o teu Espírito me levou para o local onde aquilo estava acontecendo, e pude sentir no fundo da minha alma uma faísca da dor que esses cristãos sofrem diariamente. Que as minhas lágrimas e orações alcancem esses cristãos.

É fato que não será de um dia pro outro que me tornarei o cristão mais maduro e conscientizado do que é ser um bom cristão. Muita coisa terei que abrir mão para mergulhar na palavra de Deus, para orar e com ações pôr em prática tudo isso. Tempo e amizades são algumas dessas coisas. Negar a mim mesmo todo dia, nem se fala! Que o Senhor continue segurando minha mão e me ajudando nessa missão quase impossível de fazer um pecador como eu ter o caráter de Cristo. Morrer tentando ser alguém melhor como cristão, como filho, como irmão, como ser humano cabe a mim. Cabe a todos nós.

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