20 ug acampamento underground

Meu nome é Fernanda, participei do acampamento UG em novembro de 2016 e gostaria de compartilhar a minha experiência. Para você entender como cheguei lá e como Deus falou comigo, vou contar um pouco da minha pequena história.

Eu cresci na igreja, minha educação e meus projetos eram todos com base na igreja. Estava sempre muito envolvida com todos os trabalhos e adorava viver naquele ambiente, amava muito a palavra, tinha o maior prazer em viver pra Deus e dedicar minha vida a ele. 

Quando entrei na faculdade no curso de psicologia, eu descobri outras possibilidades de ser e outras formas de viver e quanto a isso eu não me refiro a festas, bebidas e drogas, mas ao meu próprio curso. Devido ao engajamento filosófico, predominantemente ateu, eu vi que existiam outro caminhos além daquele da igreja e além daquilo que a igreja pregava como uma verdade absoluta. Essas inúmeras possibilidades do que eu poderia ser eram tantas que eu me perdi, não sabia para onde ir, como ir, se deveria e se poderia de fato percorrer aquele caminho, se não era equívoco demais simplesmente abrir mão de tudo que eu acreditava e cresci acreditando. No entanto, optei pela razão no lugar da fé.

Não deixei de frequentar a igreja pelos meus pais, apesar de não ir com a mesma frequência e vivacidade de antes e vivia sempre questionando a palavra pregada lá. Sabia que estava indo para um lugar sem paz e não podia continuar daquele jeito, mas como acreditar em um Deus que eu nem sentia? Então, eu fui para o acampamento e diferente de muitas pessoas que foram lá para servirem a Deus e provarem a sua fé, eu fui somente para encontrar uma.  

Além da minha situação espiritual, eu tenho talassemia e por isso não teria como aguentar muito esforço físico além de surtos de ansiedade quando exposta a situações de estresse. Portanto, eu não tinha a mínima condição física e emocional, sabia que não poderia chegar até o final, mas tinha em mente que quando chegasse ao meu limite eu precisaria pedir para parar.

Lá no acampamento fui Gulya (personagem) e também esposa do sheik. Naquela situação, tudo que eu queria era amar, só fazer algo por alguém que não fosse eu mesma. Quando estive presa, achei que todos acampantes também estavam, mas quando percebi que não, comecei a me questionar por que eu. Ali havia tantas pessoas cheias de Deus! Por que aquela que nem fé tinha foi passar por aquela experiência? E uma das meninas do quarto que não pude ter muito contato me disse que Deus estava usando aquela situação para falar comigo.

E, então, no domingo eu cheguei ao meu limite. Já estava fisicamente esgotada e com meu emocional totalmente abalado. Falei várias vezes para a Pascuala, que estava presa comigo, que eu queria parar e ir embora porque não conseguia mais, mas entendi que Deus nos leva a alguns limites pra mostrar o quanto ele é! Quando eu não aguentava mais, quando eu não podia mais, ele me fortalecia e me fazia continuar e o que motivava era o amor dele pelo próximo, pois eu também queria amar não somente aqueles que estavam no acampamento, mas também aquelas mulheres da Somália que de fato enfrentam diariamente coisas muito além daquelas que vivenciei.

Depois do acampamento, quando voltei para minha casa e para minha rotina, nada fazia mais sentido. Não fazia mais sentido comer enquanto meus irmãos passavam fome, não fazia sentido usufruir dos confortos que eu tenho enquanto pensava em tudo aquilo que meus irmãos passam por amor a Deus.

Além de tudo aquilo que Deus me mostrou e falou comigo no acampamento, de renovar a minha fé, eu ainda me encontrei, pois sei para onde Deus quer me levar e para que ele quer me usar. Muito obrigada por serem instrumentos usados por Deus. Que Deus abençoe abundantemente vocês.